sobre o que encanta e assombra
nossos olhos se cruzaram pela primeira vez no restaurante de um shopping, em juiz de fora; ele, em um extremo da mesa falando sobre tudo. eu, no outro, preocupado com o preço da comida, com o adiantado da hora. a vez segunda nos encontrou na portaria do hotel; fora me entregar seus livros. pensei no peso da bagagem, no que fazer com tanta poesia, com tantos versos. senti medo de gostar. e agora ele me pede que escreva sobre a educação do pai. e aí eu penso em encantos e assombros. em encantos por conta da qualidade evidente das palavras. “pai é pra ser derrotado”, sentencia no poema de um verso só que dá nome ao livro. já o espanto se revela no escritor com saudade, inquieto, angustiado, perguntando-se.
leminski disse, certa vez, que ser poeta aos 17 é barbada; difícil mesmo é seguir em frente fazendo poesia, como quintana. ou goulart, acresceria. e eu acho que é isso mesmo.
demétrio de azeredo soster




Gustavo Goulart é de Juiz de Fora, Minas Gerais. Foi laureado por duas vezes pela Lei de Incentivo à Cultura Murilo Mendes. Publicou Estado ao vento (2006), Pequenas coisas (2009), Algum mal & outras pequenas coisas (2013) e Interregnum (2020). Formado em comunicação social pela Universidade Federal de Juiz de Fora, é o poeta do mínimo e “com descoberta humana”*, atrelado às tradições da poesia mineira sob o peso de Drummond e com as formas simples que quis Quintana.
*Carlos Nejar
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