Decerto que os mais puritanos vão se assustar com a narrativa elétrica, tecnológica e debochada de André Cunha em Colisão frontal, que tão bem marca os últimos lances da vida cultural, política e filosófica do país. Se de um lado estamos atolados numa onda reacionária que a todos carrega em direção à sarjeta global, do outro, há quem assista, atordoado, ao espetáculo medonho. Será a literatura, a arte, ponte para atravessarmos o apocalipse que nos foi antecipado? Talvez sim, ou não. Todavia a leitura de Colisão frontal, que não é bíblia nem mapa, que não pretende ser boia, nem tábua, será prazerosa, na medida em que seu vigor nos desloca, ao mesmo tempo que nos deixa com aquela sensação de slow motion dos filmes, quando o herói tomba contemplando o mundo ao redor que, também, desmorona.
Leonardo Costaneto




André Cunha publicou o romance Brasília, Gravidade zero, finalista do Prêmio Sesc de literatura de 2015; a ficção especulativa O futurista – reportagens que vão mudar o mundo; e os e-books Marcela – um thriller erótico no primeiro escalão da República e Macaco Velho na plataforma KDP. Escreve artigos de opinião semanalmente no Jornal de Brasília e colabora com diferentes veículos de comunicação.
Avaliações
Não há avaliações ainda.