Caro Fernando,
Em seu romance epistolar, você toca em pontos fulcrais para os nossos estudos sem abdicar da margem terceira, expandindo noções para continuar remando. Crítica-invenção? Acho melhor não, como diria Bartleby, me ancorar em rótulos para definir o que escreve o Bailarino que Escreve. Sua conversa com Melville, por exemplo, ilumina para mim muitas das questões que me interessam — e atravessam — sobre teoria e interpretação, o que confirma o fato de você falar de si, inventando e sendo inventado pelo outro. Você fala ainda de linhas abissais e pontes entre o dentro e o fora: ao aventá-las em linguagem, traça essas linhas e lança pontes dentro-fora/fora-dentro, pontes. Na sua primeira carta, insurge Clarice Lispector, e eu não pude deixar de me lembrar de um texto tão lembrado — às vezes muito mal lembrado — que é “Mineirinho”, suas treze cartas me atingem, não exatamente como os treze tiros, mas pela ordem do afeto.
Leonardo Francisco Soares




Fernando Barcellos é um bailarino, coreógrafo, diretor, escritor e professor mineiro. Trabalha com dança, teatro, cinema e literatura. Doutor em literatura, mestre em artes e graduado em artes e química, trabalhou em mais de 30 projetos artísticos, apresentados no Brasil e no exterior. Tem publicado textos literários premiados sob um heterônimo que ele não revela, mas que é fácil de descobrir.
Avaliações
Não há avaliações ainda.