Dizem que a prática psicanalítica se relaciona com uma temporalidade menos rígida no que diz respeito ao acompanhamento do sujeito analisado, admitindo, inclusive, sessões curtas ou ultracurtas. Ruptura, demora e frustração da enunciação. Incisão no fluxo da linguagem. Veredazinhas eleitas: rasuras lacanianas em Grande sertão: veredas, de Roberto Amaral, opera de maneira análoga em seu assédio a esse ser de linguagem chamado Riobaldo. O ex-jagunço, ser de ficção, é amado e odiado por seu calado interlocutor. A cada fragmento desse ensaio proliferante, Riobaldo se inflora e se dissipa na superfície do seu sertão enquanto sintoma de um jornal íntimo. Um prodigioso pacto com os negaceios da linguagem. Pactários ambos, o ensaio descontínuo do ego scriptor de Roberto Amaral; a fala riobaldina e suas possibilidades de rasura rasurans.
Ronald Augusto




Roberto Amaral é escritor, poeta, ensaísta e professor. É autor de A teofania em Grande sertão: veredas, Do mundo, suas delicadezas, 54 [+ uma] mulheres do baralho, Contos extraviados, Uma Denise, Le mot juste e Paul Ricoeur e as faces da ideologia. Organizador e autor do livro Leituras superviventes de “O burrinho pedrês”. Participou da antologia Pulso da palavra – ensaios & poesias e da antologia de contos Sem a loucura não dá – A poesia de Sérgio Sampaio em prosa. É Pós-Doutor em Estudos Literários e Doutor em educação pela UFG. Professor do Curso de Licenciatura em Filosofia, do Curso de Pós-Graduação em Ética e Ensino de Filosofia e do Mestrado Profissional em Filosofia (PROF-FILO) da UFT, Campus de Palmas (TO). Acadêmico de Psicologia (CEULP-ULBRA).
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