De onde vem a voz dos contos de Dom Fabrone? A que panoramas mentais ela responde, instigada a sair do “nada” em que se encontra no início? Ser atingido por seus contos implica se conectar com a indeterminação dessas questões. Implica ser envolvido pela estranheza com que sua voz se desenrola neles. E pela forma abrupta como ela se interrompe, a cada página. Porque a anomalia desses contos não se situa nas situações vividas ou refletidas, que nunca chegam a ser surreais. Ela se situa num modo de raciocinar que transforma situações – comuns ou incomuns – em pequenos orifícios na malha cerrada do cotidiano. Prontos a reter indefinidamente aqueles que olham para eles. “Somos todos feitos de carne, osso, fibras e aquela coisa gelatinosa e esquisita que tem entre os ossos, a carne e as fibras da rabada”, diz Dom Fabrone a certa altura. A voz de seus contos toca o tempo todo essa geleia.
Bruno Domingues Machado




Dom Fabrone nasce na cabeça de Fabrício Cardoso de Aquino, que nasceu em São João de Meriti. Na Baixada Fluminense viveu sua primeira infância. A juventude foi vivida em Vila Isabel. Estudou fotografia, filosofia e letras. Formado em Ciências Contábeis, é formando na faculdade de Direito. Pai de dois filhos, Joaquim e José Benedito. É empresário, contador, corretor de Imóveis, trader e escritor.
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