Este livro, de Débora Ferreira e Lília Melo, é uma contribuição valiosa e inédita para compreender o problema da escola pública em uma região metropolitana (no caso em questão, da Amazônia brasileira). Trata-se de um texto com alto grau de informatividade – de diversa natureza – de que podem dar testemunho:
- a robustez teórica com excelente formulação textual das resenhas da bibliografia de referência;
- a inserção densa no contexto de investigação (dois semestres letivos de observação participante e entrevistas) e
- a descrição primorosa dos episódios de ensino (com elaboração de sinopses das aulas).
Esses e outros aspectos poderiam muito bem indicar a qualidade da obra. Mas há a contribuição mais central: em primeiro lugar, nela aparecem representadas práticas educacionais cuja observação permite entrever a complexidade dos letramentos que tomam lugar no encontro entre escola e comunidade circunvizinha. É nessa zona fronteiriça (ocupada pelas autoras como posto de observação e intervenção) que se pode compreender as condições materiais em que se constituem as práticas comunicativas e as ações verbais de alunos e professora no bairro da Terra Firme, na região metropolitana de Belém, no estado do Pará, a arena da interação social.
Sandoval Nonato
Universidade de São Paulo




Débora Cristina do Nascimento Ferreira é doutora em Linguística Aplicada pela UNICAMP, mestre em Letras pela UFPA, área de concentração em Linguística, e graduada em Letras pela mesma instituição, habilitação em Língua Portuguesa. É professora de Língua Portuguesa, Literatura e Redação da SEDUC-PA, tendo interesse de pesquisa na área de Linguística Aplicada, com ênfase em Letramento, Ensino -aprendizagem de Língua Portuguesa e formação de professores.
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