Parecia amor

Sou fruto de um amor que tanto admirei por toda uma vida, tanta admiração que sempre quis um amor tal e igual. Pai boêmio, poeta e apaixonado, vivendo em universo de rica cultura de poesia, música, cantoria, enquanto sua companheira, esposa, amiga, uma mulher linda, inteligente, semianalfabeta, submissa e apaixonada.

Convivi com esse amor, que desejei copiar para minha vida até me desencantar ao ver que por trás da paixão e da boemia sempre houve traição, que por trás da submissão dela (foi assim que aprendeu que deveria ser) sempre houve o abuso da parte dele que, desta forma, sob muito comodismo, se deu o direito de ser o centro de tudo.

Assim sendo, trouxe esta bagagem para minha vida pessoal, para minha vida conjugal (querendo seguir esta fórmula de amor, sobretudo procurando entre uma história ou outra, algum personagem que de alguma forma se assemelhasse a esse contexto).

Por muitas vezes vivi sonhos que não eram meus, me vi apagada, menosprezada, diminuída, também excluída. Me comparei tanto a um pinto morrendo afogado em um lago… Escutando minha consciência nessa comparação, senti pena de mim mesma, juntei minha análise, respirei fundo e consegui sair do lago.

Ressignifiquei meus sonhos, resgatei minha vida, ao entender que tudo parecia amor, mas na verdade o meu amor por mim precisava ser resgatado. Me refiz de coragem, e foi na arte, na literatura o resgate de mim mesma.

Além de mulher, esposa, mãe, gestora em turismo, busco por mais crescimento, tento aprender a fazer mais e melhor a cada dia, sentindo-me empoderada em minha construção, onde nenhum sonho alheio intervém ao meu. Sigo em frente, sendo feliz.

No programa “Parecia amor” me vejo em retratos, me vejo em situações passadas, sinto-me feliz de hoje ser eu mesma. Com um olhar crítico, investigativo a qualquer gesto ou palavras que me pareçam abuso, de forma soberana, faço descaso, quando preciso, ou brigo pelo meu direito quando acho necessário.

Cibele Laurentino nasceu em Campina Grande, PB, mas reside em Conde, no mesmo estado, onde trabalha com Turismo e vive com sua família na Praia de Tabatinga. É formada em Gestão em Turismo, bacharelanda em Letras, cursando Escrita Criativa. É autora de Cactus: poesias, sentimentos e emoções (2022), Nobelina (2021), Todas em mim (2022) e Eu, Inútil (2022). É membra da UBE-PB e da Academia de Letras de Campina Grande, idealizadora e mediadora do Clube de Leitura Nordestina.

One thought on “Parecia amor

  1. Estela Duarte Leal Coutinho says:

    Eu admirava muito seu pai ,por essas poesias,acho que são pessoas muito inteligentes para conseguilas tão perfeitas e agora você herdou o mesmo dom dele , Parabéns Cibele , continue e não pare, você vai além do que imaginas!!!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.